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Ozempic e terapia hormonal potenciam emagrecimento na menopausa

Ozempic e terapia hormonal potenciam emagrecimento na menopausa

23 de Outubro de 2026

A combinação de semaglutido, o princípio ativo de medicamentos como o Ozempic, com terapêutica hormonal da menopausa poderá estar associada a uma maior perda de peso em mulheres nesta fase da vida. Os resultados são promissores, mas ainda são necessários estudos mais rigorosos para confirmar esta possível vantagem e determinar em que circunstâncias poderá ser útil.

A dificuldade em perder peso é uma preocupação frequente durante a menopausa e nos anos que se seguem à última menstruação. As alterações hormonais, a perda gradual de massa muscular, as mudanças na distribuição da gordura corporal e o envelhecimento podem tornar mais difícil controlar o peso, mesmo quando se mantêm hábitos de vida relativamente saudáveis. Neste contexto, investigadores estão a estudar se a combinação de medicamentos utilizados no tratamento da obesidade com a terapêutica hormonal da menopausa poderá produzir melhores resultados do que a utilização isolada destes tratamentos.

Uma investigação analisou dados clínicos de aproximadamente 2400 pessoas com mais de 45 anos que estavam a utilizar semaglutido ou tirzepatida para controlar o peso. Os investigadores compararam os resultados de quem recebia também terapêutica hormonal da menopausa com os de quem não fazia esse tratamento. Os dados sugerem que a associação poderá estar relacionada com uma perda de peso superior entre as pessoas tratadas com semaglutido. No caso da tirzepatida, porém, não foi demonstrada uma vantagem estatisticamente significativa no final do acompanhamento.

Apesar do interesse destes resultados, existe uma limitação fundamental: a investigação foi apresentada numa reunião científica e ainda não tinha sido submetida a revisão por pares, segundo a informação divulgada. Isto significa que os resultados devem ser interpretados com prudência e não permitem concluir que a terapêutica hormonal aumenta, por si só, a eficácia dos medicamentos para emagrecer. A associação observada constitui uma hipótese que terá de ser confirmada por estudos adicionais, com metodologias capazes de distinguir os efeitos dos tratamentos de outras diferenças entre as participantes.

A semaglutido pertence a uma classe de medicamentos que imitam a ação de uma hormona intestinal envolvida na regulação da glicemia e do apetite. Esta substância, conhecida como péptido semelhante ao glucagon tipo 1, ou GLP 1, participa na sinalização da saciedade, influencia a ingestão alimentar e contribui para regular os níveis de açúcar no sangue. Ao ativar os recetores desta hormona, a semaglutido pode ajudar a reduzir a fome, prolongar a sensação de satisfação após as refeições e facilitar a diminuição da ingestão calórica.

O Ozempic contém semaglutido e é utilizado principalmente no tratamento da diabetes tipo 2, enquanto o Wegovy contém o mesmo princípio ativo e tem indicação específica para o controlo do peso em determinados doentes, de acordo com a autorização aplicável. Embora partilhem a mesma substância, os medicamentos não devem ser considerados automaticamente intercambiáveis, uma vez que as indicações, as doses e os objetivos terapêuticos podem diferir. A escolha deve ter em conta a situação clínica de cada pessoa e ser feita com acompanhamento médico.

A tirzepatida, por sua vez, atua sobre dois sistemas hormonais envolvidos na regulação metabólica: os recetores do GLP 1 e os recetores do polipéptido insulinotrópico dependente da glicose, conhecido como GIP. Esta ação dupla contribui para os seus efeitos sobre o apetite, a glicemia e o peso corporal. A investigação procurou perceber se a terapêutica hormonal da menopausa poderia acrescentar benefícios a estes medicamentos, mas os resultados não foram iguais nas duas opções analisadas.

De acordo com os dados divulgados sobre o estudo, a utilização simultânea de terapêutica hormonal esteve associada a uma perda de peso significativamente superior entre as pessoas que tomavam semaglutido. Já entre as utilizadoras de tirzepatida, a tendência inicial também apontava para uma vantagem, mas a diferença final não atingiu o limiar estatístico necessário para ser considerada significativa. Esta distinção não demonstra que a terapêutica hormonal seja inútil para quem toma tirzepatida. Significa apenas que, com os dados disponíveis, não foi possível confirmar uma vantagem adicional clara.

Os investigadores admitem várias explicações possíveis. Uma delas é que a tirzepatida possa produzir, por si só, uma perda de peso suficientemente expressiva para deixar menos margem para detetar um benefício adicional da terapêutica hormonal. Outra hipótese prende-se com os mecanismos de ação dos medicamentos. A influência dos estrogénios sobre a sinalização do GLP 1 poderá contribuir para uma interação entre estes sistemas, mas ainda não está demonstrado que esse mecanismo explique os resultados observados em pessoas durante a menopausa.

É importante sublinhar que estas explicações são hipóteses científicas, e não conclusões definitivas. Os efeitos dos medicamentos podem variar de pessoa para pessoa e dependem de fatores como a dose, a duração do tratamento, o peso inicial, a alimentação, a atividade física, as doenças associadas e a adesão à medicação. A idade, o tempo decorrido desde a menopausa e as características da terapêutica hormonal também poderão influenciar os resultados. Para compreender a relação entre todas estas variáveis, será necessário analisar amostras maiores e acompanhar as participantes durante períodos mais longos.

A menopausa é uma fase natural da vida e ocorre habitualmente entre os 45 e os 55 anos, embora a idade varie. A redução dos níveis de estrogénios pode contribuir para alterações na composição corporal, incluindo uma tendência para acumular mais gordura na região abdominal e uma diminuição progressiva da massa muscular. No entanto, o aumento de peso nesta fase não resulta exclusivamente das alterações hormonais. O envelhecimento, a redução da atividade física, os padrões de sono, a alimentação, a predisposição genética e determinados medicamentos também podem desempenhar um papel relevante.

A acumulação de gordura visceral, localizada em torno dos órgãos internos, merece particular atenção porque está associada a um risco acrescido de alterações metabólicas, incluindo resistência à insulina, diabetes tipo 2 e doença cardiovascular. Isto não significa que todas as mulheres ganhem peso durante a menopausa, nem que todas desenvolvam estes problemas. Significa que acompanhar a evolução do peso, da composição corporal, da pressão arterial e dos parâmetros metabólicos pode ajudar a identificar riscos e a orientar medidas preventivas individualizadas.

A terapêutica hormonal da menopausa é utilizada sobretudo para aliviar sintomas que afetam a qualidade de vida, como afrontamentos, suores noturnos e determinadas manifestações geniturinárias. Em pessoas devidamente selecionadas, pode ser uma opção eficaz, depois de ponderados os benefícios, os riscos, a idade, o tempo decorrido desde a menopausa, os antecedentes clínicos e as preferências individuais. A decisão exige uma avaliação médica, uma vez que os riscos variam consoante a formulação utilizada, a via de administração, a duração do tratamento e as características de cada pessoa.

Os resultados agora divulgados não justificam a utilização de hormonas exclusivamente com o objetivo de emagrecer. A terapêutica hormonal não é um tratamento aprovado para a obesidade e não deve substituir intervenções dirigidas especificamente ao controlo do peso. Quando existe uma indicação clínica para tratar sintomas da menopausa, o alívio desses sintomas poderá, em algumas pessoas, facilitar a prática de exercício, melhorar o sono e favorecer a manutenção de hábitos saudáveis. Contudo, esta possível contribuição indireta não equivale a demonstrar um efeito emagrecedor próprio da terapêutica hormonal.

Também é necessário ter cuidado com afirmações que atribuem o aumento de peso na meia idade a um único desequilíbrio hormonal. Embora os estrogénios tenham um papel importante na fisiologia feminina, não está demonstrado que corrigir globalmente os níveis hormonais permita, por si só, resolver o excesso de peso. Alterações da função tiroideia, por exemplo, podem contribuir para mudanças no peso quando existe uma doença efetiva, mas não se deve presumir que uma função tiroideia ligeiramente diferente do habitual explique automaticamente um aumento significativo de peso. A avaliação deve basear-se nos sintomas, na história clínica e nos exames considerados necessários.

A alimentação equilibrada e a atividade física continuam a ser componentes essenciais do controlo do peso durante a menopausa. Uma abordagem sustentável deve privilegiar alimentos nutricionalmente ricos, uma ingestão adequada de proteínas, legumes, fruta, cereais integrais e fontes de gordura insaturada, ajustando as quantidades às necessidades individuais. O treino de força assume particular importância porque ajuda a preservar a massa muscular, que tende a diminuir com a idade. A atividade aeróbica, o sono adequado e a redução do sedentarismo complementam estas medidas e podem contribuir para a saúde cardiovascular e metabólica.

A preservação da massa muscular merece atenção especial durante a perda de peso com medicamentos como a semaglutido. Uma redução rápida do peso pode incluir perda de massa magra, além de gordura. Por esse motivo, o acompanhamento não deve centrar-se exclusivamente no número apresentado pela balança. A avaliação da força, da capacidade funcional, da ingestão alimentar e, quando clinicamente adequado, da composição corporal pode ajudar a orientar o tratamento. Um plano individualizado permite também identificar dificuldades na alimentação ou efeitos adversos que possam comprometer a saúde durante o processo.

Os medicamentos que atuam sobre o GLP 1 podem provocar efeitos adversos, sobretudo gastrointestinais, como náuseas, vómitos, diarreia, obstipação e desconforto abdominal. Existem ainda precauções e contraindicações específicas que devem ser avaliadas antes de iniciar o tratamento. A dose não deve ser alterada sem orientação clínica e estes fármacos não devem ser utilizados por iniciativa própria, nem partilhados com outras.

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