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Vacinação contra gripe e COVID já arrancou

Vacinação contra gripe e COVID já arrancou

02 de Outubro de 2026

A campanha de vacinação sazonal contra a gripe e a COVID 19 arrancou a 30 de setembro em Portugal e prolonga se até 31 de março de 2027. Este ano há mudanças importantes nas idades abrangidas e nos locais onde as vacinas podem ser administradas, incluindo o alargamento da vacinação gratuita contra a gripe às crianças dos 2 aos 4 anos.

A nova campanha de vacinação para o outono e inverno já está em curso em Portugal. A vacinação contra a gripe e contra a COVID 19 decorre nas unidades do Serviço Nacional de Saúde, nas farmácias comunitárias aderentes e noutros locais de vacinação autorizados, estando prevista até 31 de março de 2027.

O arranque acontece numa altura em que ainda não se registam temperaturas particularmente baixas, mas as autoridades de saúde e os profissionais do setor reforçam que não é necessário esperar pela chegada do frio para iniciar a proteção. A vacinação antecipada permite que a resposta do sistema imunitário se desenvolva antes do período em que estas infeções respiratórias tendem a ter maior circulação.

O bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, Helder Mota Filipe, apelou à vacinação e destacou precisamente a importância de não adiar a proteção. Segundo o responsável, quanto mais cedo a vacinação for realizada, maior será a possibilidade de o organismo estar preparado quando ocorrer o pico de infeções.

Uma das principais alterações desta campanha diz respeito à vacinação contra a gripe. Pela primeira vez, a vacinação gratuita é alargada às crianças dos 2 aos 4 anos, inclusive. Esta medida aumenta o número de crianças abrangidas pelo programa público e permite que este grupo seja vacinado em unidades do SNS, mas também em hospitais e clínicas dos setores privado e social que estejam autorizados como pontos de vacinação.

A decisão acompanha a estratégia definida pela Direção Geral da Saúde para a campanha de vacinação sazonal de 2026 e 2027. A vacinação gratuita contra a gripe é determinada não apenas pela idade, mas também pela existência de determinadas doenças ou condições de saúde, pela integração em contextos considerados vulneráveis e por algumas situações profissionais que aumentam o risco de exposição ou transmissão.

Outra mudança relevante acontece nas farmácias. A vacinação contra a gripe passa a estar disponível nestes estabelecimentos também para pessoas entre os 18 e os 59 anos que tenham doenças ou condições consideradas elegíveis. O objetivo é facilitar o acesso à vacinação e permitir que mais pessoas possam ser imunizadas sem depender exclusivamente das unidades de saúde do SNS.

As farmácias continuam também a desempenhar um papel importante na vacinação das pessoas mais velhas. Nesta campanha, a vacinação gratuita contra a gripe nas farmácias abrange a população dos 60 aos 84 anos. Para as pessoas com 85 ou mais anos, mantém se a vacinação no SNS, apesar de a Ordem dos Farmacêuticos defender que também este grupo deveria poder escolher entre o centro de saúde e a farmácia.

Esta posição é justificada pela importância da facilidade de acesso para aumentar a cobertura vacinal. A Ordem dos Farmacêuticos considera que a possibilidade de escolher um local mais conveniente pode facilitar a adesão, sobretudo entre pessoas mais velhas, para quem uma deslocação a uma unidade de saúde pode representar uma dificuldade adicional. Esta é, contudo, uma posição defendida pelo bastonário e não uma alteração às regras atualmente definidas pela DGS.

A campanha prevê ainda a utilização de diferentes tipos de vacina contra a gripe. Foram adquiridas cerca de 2,3 milhões de doses de vacinas de dose normal e aproximadamente 369 mil doses de dose elevada. De acordo com a DGS, a quantidade disponível é suficiente para responder às necessidades previstas para a campanha sazonal.

A vacina de dose elevada está destinada a alguns dos grupos mais vulneráveis. Entre eles encontram se as pessoas com 85 ou mais anos e os residentes com 60 ou mais anos em estruturas residenciais, centros de acolhimento temporário e unidades integradas na rede de cuidados continuados, de acordo com os critérios definidos para esta campanha.

A vacinação contra a gripe contempla ainda vários grupos profissionais e populacionais considerados prioritários. Estão incluídos profissionais que prestam cuidados diretamente em determinadas unidades dos setores social e privado, incluindo estruturas com internamento, cirurgia de ambulatório, obstetrícia, neonatologia e diálise. Também estão abrangidos profissionais de estabelecimentos com atendimento permanente.

As grávidas, os profissionais do SNS e os bombeiros que tenham contacto direto com pessoas com elevado risco de doença grave fazem igualmente parte dos grupos elegíveis. A campanha contempla ainda pessoas privadas de liberdade e pessoas em situação de sem abrigo, entre outros grupos definidos pelas autoridades de saúde.

No caso da COVID 19, a campanha deste ano apresenta uma alteração particularmente importante. O limite etário para a vacinação sazonal passa dos 60 para os 70 anos. A partir desta campanha, a recomendação relacionada exclusivamente com a idade aplica se, portanto, às pessoas com 70 ou mais anos. A DGS mantém, contudo, a vacinação para pessoas com determinadas condições clínicas ou patologias que aumentam o risco de doença grave, independentemente de poderem ou não enquadrar se apenas no critério etário.

A estratégia para a COVID 19 inclui também pessoas que vivem em determinados contextos considerados particularmente vulneráveis. Entre os critérios definidos pela DGS encontram se situações de imunossupressão moderada ou grave, patologias associadas a maior risco de COVID 19 grave, fragilidade e multimorbilidade, de acordo com os grupos previstos na norma em vigor.

Também neste caso as farmácias passam a ter um papel mais abrangente. A vacinação contra a COVID 19 nas farmácias é alargada às pessoas entre os 18 e os 69 anos que tenham patologias consideradas de risco. Entre os 70 e os 84 anos, a vacinação mantém se indicada em função da idade, independentemente da existência dessas doenças, de acordo com os critérios definidos para a campanha.

As alterações anuais nos critérios de vacinação podem, no entanto, dificultar a compreensão por parte da população. O bastonário da Ordem dos Farmacêuticos alertou precisamente para este problema, uma vez que os limites de idade podem variar entre campanhas e entre a vacinação contra a gripe e a vacinação contra a COVID 19. A transmissão de informação clara e simples é considerada essencial para evitar dúvidas e uma eventual redução da adesão à vacinação.

Apesar de a gripe e a COVID 19 serem doenças diferentes, ambas podem provocar complicações importantes, sobretudo em pessoas mais velhas e em determinados grupos com doenças ou condições de saúde que aumentam o risco de evolução grave. A vacinação sazonal procura reduzir esse risco durante os meses em que as infeções respiratórias tendem a representar uma maior pressão sobre os serviços de saúde.

A própria DGS enquadra a campanha de vacinação sazonal no período de outono e inverno, quando a circulação destas infeções assume maior importância. Para a gripe, a estratégia utiliza critérios relacionados com o risco de doença grave e hospitalização, incluindo idade, condições clínicas, contextos vulneráveis e determinadas atividades profissionais.

No caso da COVID 19, a estratégia mantém uma componente de vacinação primária ao longo de todo o ano para grupos específicos, além da campanha sazonal que decorre entre 30 de setembro de 2026 e 31 de março de 2027. A DGS prevê ainda a possibilidade de realizar uma nova campanha entre abril e junho de 2027, caso a evolução epidemiológica justifique essa medida.

A vacinação não está, por isso, limitada a uma única oportunidade no início da campanha. A estratégia definida para cada pessoa depende da idade, das condições clínicas, do contexto em que vive ou trabalha e das recomendações específicas para a época em causa. É também possível que diferentes membros de uma mesma família tenham critérios de vacinação diferentes.

Para quem reúne condições para receber a vacina, o início da campanha permite antecipar a proteção relativamente ao período de maior circulação dos vírus. A recomendação para não esperar pelo frio está relacionada precisamente com o tempo necessário para que o organismo desenvolva uma resposta imunitária após a vacinação. A proteção não surge imediatamente no momento da administração da vacina.

O reforço do papel das farmácias procura igualmente aproximar a vacinação da população. Em Portugal, estes estabelecimentos passaram a desempenhar um papel relevante nas campanhas sazonais, permitindo que muitas pessoas tenham acesso à vacinação num local próximo de casa e com maior flexibilidade. A possibilidade de administrar determinadas vacinas nas farmácias é agora alargada a novos grupos definidos pelas autoridades de saúde.

Para a população, uma das principais mudanças desta campanha é precisamente a necessidade de distinguir os critérios aplicáveis à gripe dos critérios aplicáveis à COVID 19. Uma pessoa pode estar abrangida pela vacinação gratuita contra uma das doenças e não pela outra apenas com base na idade, enquanto a existência de determinadas patologias pode alterar essa situação.

Na gripe, a grande novidade é a entrada das crianças dos 2 aos 4 anos no grupo abrangido pela vacinação gratuita. Na COVID 19, a principal alteração é o aumento para os 70 anos do limite etário da vacinação sazonal por idade. Em ambos os casos, continuam a existir critérios específicos para pessoas com maior risco de doença grave e para determinados contextos de vulnerabilidade.

A campanha de 2026 e 2027 ficará assim marcada por um reforço da vacinação contra a gripe em algumas faixas etárias e grupos específicos, ao mesmo tempo que a estratégia para a COVID 19 passa a concentrar a recomendação etária nos 70 ou mais anos. As regras podem parecer diferentes das aplicadas em anos anteriores, mas resultam das orientações definidas pela DGS para esta época sazonal.

Com a campanha já iniciada, a vacinação estará disponível até 31 de março de 2027. A recomendação das autoridades e dos profissionais de saúde é que as pessoas elegíveis não adiem desnecessariamente a vacinação, permitindo que a proteção seja desenvolvida antes do período de maior circulação das infeções respiratórias.

Para quem tenha dúvidas sobre a sua elegibilidade, o local adequado para a vacinação ou a possibilidade de receber as duas vacinas, a informação deve ser confirmada junto do SNS, de uma unidade de saúde ou de uma farmácia aderente. Os critérios desta campanha são específicos para a época 2026 e 2027 e devem ser avaliados de acordo com a idade, situação clínica e contexto de cada pessoa.

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